Senac

Rio Grande do Sul

Artigo

Os desafios da Educação Ambiental na Esfera Organizacional

por Camila Fagundes

As empresas observaram um salto em seu crescimento e desenvolvimento, principalmente após a primeira Revolução Industrial no século XVIII. A crescente presença de máquinas e equipamentos nos processos produtivos possibilitou a otimização do tempo na máxima fabricação por parte das empresas. Neste cenário, o homem assumiu um papel de dominador sobre os recursos naturais, explorando-os intensamente e não considerando os possíveis impactos negativos que poderiam ser gerados devido aos avanços proporcionados.

Ao longo dos anos, diversas alterações na matriz produtiva foram realizadas a fim de buscar redução dos impactos ambientais. Entretanto a indústria, por exemplo, ainda continua sendo a segunda atividade geradora de impactos ambientais, perdendo apenas para as atividades mineradoras.

 

Refletir sobre o impacto da atividade antrópica sobre o meio ambiente é o passo inicial rumo ao desenvolvimento considerado sustentável, conceito apresentado pela primeira vez em 1987 no Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Esse modelo incorpora o relacionamento harmônico entre homem e natureza (HADJICHAMBIS et al., 2015). Nesta perspectiva, são essenciais a inserção e a priorização da educação ambiental em todas as camadas e estratos sociais, e não apenas nas organizações ou nas escolas, de modo a minimizar tais efeitos.

Como parte da estratégia organizacional, a educação ambiental efetiva a real compreensão dos impactos ambientais, seja eles reais ou potenciais, causados pelas empresas, bem como dos benefícios da prevenção aos mesmos (VILELA JR.; DEMAJOROVIC, 2013). Para Sauvé (2005) a educação ambiental promove a reflexão acerca do meio ambiente de forma aprofundada de cada um dos aspectos relacionados com a natureza, interpretando e reinterpretando os recursos naturais, renováveis e não-renováveis, e os problemas do impacto ambiental gerado por multiplicidade de fontes, ecossistema, habitat e biosfera. A referida reflexão possibilita a concepção de alternativas para fornecer subsídios ao indivíduo no processo de diagnosticar cenários, identificar causas e elaborar soluções criativas à realidade (PADUA, 2015).

Entretanto, na maioria das organizações, as ações de promoção de educação ambiental ficam limitadas a palestras temáticas de cunho informativo e não formativo e a programas aplicados de forma simplificada e parcial, orientados a determinado público, e processos de conscientização que auxiliam à implantação de sistemas de gestão ambiental, ou atendam as auditorias ambientais.

A implantação de um programa de educação ambiental requer uma estrutura formal com objetivos, definição do público alvo, desenvolvimento do conteúdo programático, de estratégias de aprendizagem e de métodos de avaliação (CAINZOS, 1999). No âmbito organizacional, um programa de educação ambiental empresarial também precisa ser contínuo, permanente e sistematizado. Deve ultrapassar a função formativa, promovendo a sensibilização, instigando o debate e construindo o conhecimento necessário à tomada de decisão (JACOBI, 2003; MELGAR; BELLEN; LUNKES, 2006; SANTOS, 2007). A educação ambiental precisa formar indivíduos com valores, e não apenas com o saber. Na concepção de Jacobi (2003) a educação ambiental possui seu eixo fundamentado nas práxis de novas atitudes em relação ao meio ambiente. Compreendem características de uma educação ambiental efetiva, a adoção de comportamentos ecoeficientes.

Entretanto, autores como Sauvé (2005), Melgar, Bellen e Lunkes (2006) destacam que a educação ambiental empresarial somente ganhará maior amplitude quando contar com o efetivo envolvimento dos mais variados atores sociais relacionados com a organização. Tal posicionamento também é discutido por Pádua (2015), uma vez que a participação de diferentes profissionais em programas ambientais pode contribuir ao desenvolvimento de ações coletivas.

REFERÊNCIAS

CAINZOS, M. Temas transversais em educação: bases para uma formação integral. 5. ed, São Paulo: África, 1999.

HADJICHAMBIS, Andreas Ch; PARASKEVA-HADJICHAMBIS, Demetra; IOANNOU, Hara; GEORGIOU, Yannis; MANOLI, Constantinos C. Integratin sustainable consumption into environmental education: a case study on environmental representations, decision making and intention. International Journal of Environmental & Scince Education, v. 10, n. 1, 2015.

JACOBI, Pedro. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, n. 118, p. 189-205, 2003.

MELGAR, Maria José Anchieta; BELLEN, Hans Michael Van; LUNKES, Rogério João. Educação Ambiental nas Empresas: um estudo de caso na Fischer Fraiburgo Agrícola Ltda. Revista Contemporânea de Contabilidade. v. 1, n. 3, 2006.

PADUA, Suzana Machado. Educação ambiental ou educação para o empreendedorismo: respostas para um mundo complexo. REVBEA, São Paulo, v. 10, n. 3, p.11-20, 2015.

SAUVÉ, Lucie. Educação Ambiental: possibilidades e limitações. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 317-322, maio/ago. 2005.

SANTOS, Adélcio Machado dos. Educação Ambiental: Matéria relevante para as ciências da administração nas dimensões acadêmica e organizacional. CAD – Departamento de Ciências da Administração, v. 9, n. 17, p. 132-149, jan./abr., 2007.

VILELA Jr., A.; DEMAJOROVIC, J. Modelos e ferramentas de gestão ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. 3. ed. São Paulo: Editora SENAC, 2013.

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