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Artigo

A arte de inovar: comece por se relacionar

por Helius Sironi de Moraes. - Orientador de Educação Profissional e Coordenador de Projetos Inovadores do Senac Caxias do Sul

Inovação nesse ano de 2016 foi a palavra da vez em Caxias do Sul: fóruns, congressos, seminários. Talvez a motivação para intitular eventos com esse tema, tenha sido a necessidade de implementar em nossa cidade uma cultura de inovação. Dentre as inúmeras definições para essa palavra, fico com aquela que explica inovação como o processo de inventar algo novo ou modificar substancialmente o que existe. 

Embora empreendedores, nós caxienses talvez tenhamos certa dificuldade em se reinventar, seja pelo arquétipo de “bairristas”, “gringos”, de “São Tomé”, o que for. A bem da verdade, a extinção de milhares de vagas de emprego em 2015, trouxe como consequência a necessidade de abrirmo-nos as possibilidades. Como diria o jargão: ela é a mãe da criatividade. 
Em conjunto a esse movimento, vimos surgir soluções e ideias “cocriadas” para o cenário atual, bem como para a cidade que queremos em 2040. Retrocedemos positivamente no tempo: grupos de cocriação é o que os iluministas faziam na Europa do século XVIII, quando se sentavam numa taverna até altas horas embalados por algumas drinks, ópio e sede por maior liberdade política e econômica. Coincidência a parte, nesse interim nos tornamos individualistas. Inúmeras teorias explicam esse movimento e não cabe aqui delinear sobre elas. Porém, destacar o narcisismo como uma de suas principais consequências é plenamente aceitável. 
É tácito que vivemos numa era onde a satisfação imediata é o mote central: a busca pelo prazer mesmo que à sombra de relações líquidas. A medida que vivenciamos experiências cada vez mais rasas no contato entre humanos, nossa necessidade por reconhecimento aumenta a fim de espichar a duração desses relacionamentos. Para esticar meu convívio com você, eu preciso perceber que você marcou minhas fotos, curtiu meus comentários, compartilhou meus textos, assistiu meus vídeos e reconheceu que a imagem que eu translitero no mundo virtual expressa a realidade mais pura e verdadeira. Eu no meu canto e você no seu. 
Todavia, essa onda de desemprego nos chamou de volta ao mundo real e disse: “Ei! Preciso de você aqui para me ajudar a sair dessa crise. Porém preciso do seu eu verdadeiro, cheio de defeitos e qualidades”. O problema é que quando aceitamos o convite, esbarramos com o nosso lado “bairrista”, “gringo”, narcisista – ou seja lá como você queira chamar – e precisamos de ajuda. Auxílio para simplesmente ouvir a ideia do outro de maneira genuína, despindo-se de pré concepções e abrindo-se para a possibilidade da coexistência. Esse processo, gerenciado por metodologias de cocriação, não recebia esse nome na Europa do século XVIII: chamava-se apenas relacionamento. 

Nesse mês de novembro, durante a semana do empreendedorismo, a cidade ofertou uma série de eventos relacionados ao tema. Como participante de alguns, escutei pelo menos meia dúzia de palestrantes falarem sobre a importância do relacionamento interpessoal na inovação. Então, concluo eu, que o processo inicial de inovação não é necessariamente o esforço de um homem só, movido por uma ideia sem precedentes. Trata-se de um momento em que pessoas se dispõe a conversarem entre si, propondo-se a sair de sua zona de conforto, a fim de buscar soluções novas para problemas antigos, atuais ou futuros. A arte de inovar começa por se relacionar. Sobremaneira, com gente real, com defeitos e qualidades que – somados aos seus – gerarão um excelente resultado. 

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