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Gestão de armazenagem

Tipos de armazém

Quando falamos de tipos de instalações, precisamos diferenciar algumas estruturas. Por exemplo:

  • Armazém: edificação com piso, cobertura, paredes frontais e laterais
  • Galpão: edificação com piso, cobertura e, quando necessário, cercos frontais e laterais
  • Pátio: área não coberta, com piso drenado, compactado e, quando necessário, pavimentado e provido de limitações frontais e laterais

Mas, de forma geral, na logística, você vai encontrar pessoas se referindo às instalações de armazenagem simplesmente como armazém, sem a diferenciação exata entre os espaços.

Desta forma, podemos dizer que conceitualmente uma instalação em armazenagem corresponde a um espaço físico, estruturado na forma de depósito, em harmonia com as necessidades específicas dos produtos, planejado para propiciar agilidade, segurança e maior desempenho para os processos logísticos.

As instalações são divididas em três formas: próprias, terceirizadas ou públicas e contratadas.

Formas de instalações

  • Próprias
  • Terceirizadas (públicas)
  • Contratadas

Tipos de instalações

Armazéns próprios

Trata-se de um depósito próprio, ou seja, operado pela empresa proprietária da mercadoria. As instalações podem ser próprias ou alugadas. Esta é uma decisão que cabe a empresa, pois é ela que deve estabelecer a melhor estratégia, considerando a agilidade, o conhecimento na atividade e as questões financeiras.

No entanto, não é sempre possível encontrar um depósito de aluguel ou aquisição que atenda a todas as necessidades. Uma vez que depósitos exigem muitas atividades de manuseio de materiais, como espaço interno, externo e de movimentação.

Normalmente, um depósito eficiente deve ser planejado, considerando o sistema de manuseio de materiais, a fim de permitir a máxima eficiência do fluxo de mercadorias.

Uma tendência atual, presente em empresas do ramo imobiliário, baseia-se em depósitos de distribuição dentro das especificações de clientes, em regime de arrendamento mercantil. Esse tipo de construção personalizada existe em muitos mercados, sob contratos de arrendamento mercantil.

As principais vantagens da armazenagem própria são o controle, a flexibilidade, o custo e outras vantagens intangíveis.

Depósitos próprios oferecem, geralmente, mais flexibilidade, pois podem ser ajustados de acordo com políticas e procedimentos operacionais, os quais atendam a necessidades específicas. Empresas com clientes ou produtos muito especiais são, frequentemente, motivadas a instalar seus próprios depósitos.

Depósitos próprios oferecem mais controle, pois a empresa tem autoridade absoluta nos processos decisórios, referentes às atividades e às prioridades nas instalações. Esse controle facilita a integração das operações do depósito com os outros procedimentos logísticos internos da empresa.

Depósitos próprios apresentam, ao longo do tempo, custos menores do que depósitos públicos. Mas, essa vantagem pode ser enganosa, já que depósitos públicos são, frequentemente, mais eficientes e operam com custos distribuídos. O fundamental é avaliar os custos totais envolvidos na operação, antes de decidir sobre qual estratégia adotar.

É necessário destacar que depósitos próprios apresentam vantagens intangíveis, sobretudo com relação à presença no mercado e à visibilidade do nome da empresa na estrutura. Eles também transparecem credibilidade, pronta resposta e estabilidade.

Observe que, para alguns mercados, esta vantagem de marketing pode ser interessante e conceitualmente válida, ainda que do ponto de vista financeiro tenha restrições. Em essência, o investimento em instalações próprias deve ser balizado na taxa de retorno, do risco de capital e outras variáveis, como as questões que envolvem o marketing.

Grande parte das indústrias e grandes empresas comerciais investem em seus armazéns próprios, variando de instalações simples, para acondicionamento de pequenas quantidades, até grandes instalações especializadas em commodities, granéis, frigoríficos, utilidades domésticas, mobiliários, entre outros.

Instalações terceirizadas ou públicas

A utilização de depósitos públicos é uma forma intensa em sistemas logísticos. Sua estrutura diversificada envolve qualquer composição de serviços combinados com as necessidades da empresa, em curto e em longo prazo.

Depósitos públicos também proporcionam flexibilidade financeira e vantagens para as economias de escala. Muitas vezes, há significativa especialização em habilidades operacionais e de gerenciamento, pois armazenagem é o negócio central.

Do ponto de vista financeiro, os depósitos públicos podem ter um custo variável mais baixo do que depósitos próprios. O custo variável mais baixo pode decorrer de salários menores, de maior produtividade ou por causa de economias de escala.

São flexíveis em tamanho, mudança de local, quantidade ou necessidades sazonais. As instalações próprias, por outro lado, são fixas e de difícil mudança.

As instalações próprias podem ter capacidade ociosa, sendo que os custos de manutenção permanecem fixos. Outra situação é a necessidade de armazenagem da empresa, pois ela pode ser variável; por exemplo, pode ser necessária por curtos períodos de tempo. Situação esta que amplia a vantagem competitiva dos serviços terceirizados, pois a empresa não precisa se preocupar com esta atividade, fixando-se exclusivamente no esforço de produção.

Os depósitos públicos podem ser classificados em função da execução de operações especializadas, diferindo na tecnologia de armazenagem, no manuseio de materiais, nas características ambientais e nos bens armazenados. Desta forma, delimitados:

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São projetados para manusear todo tipo de mercadoria embalada.

Correspondem a ambiente congelado ou de temperatura intermediária. Neles são manuseados e armazenados alimentos, medicamentos e produtos químicos que exigem baixa temperatura.

São projetados para manusear grandes volumes ou itens que exigem condições especiais de manuseio, como pneus ou roupas.

São aqueles licenciados pelo governo para armazenar mercadorias antes do pagamento de impostos ou direitos alfandegários. Exercem forte controle sobre todas as movimentações de saída e de entrada de mercadorias, pois exigem preenchimento de documentos legais para cada movimentação.

Projetados para manusear e armazenar itens volumosos, de difícil arrumação. Obviamente, muitos depósitos públicos oferecem combinações de serviços para as modalidades existentes.

É uma área aberta, cercada e vigiada, como um grande estacionamento para contêineres. Normalmente, localizada próximo de portos, de aeroportos e de portos secos. Em sua grande maioria, com disposição de equipamentos específicos para movimentação.

Neste ponto, é importante destacar a conteinerização.

Imagem de um contêiner da empresa Hamburg Süd, localizado em um pátio de contêineres.

Figura 2 – Contêiner
Fonte: >https://universodalogistica.wordpress.com/2010/05/18/tipos-de-containers/>. Acesso em: 30 ago. 2017.

Conteinerização

A conteinerização é a alocação da carga em contêiner (“cofre de carga”).

Trata-se de um recipiente construído em material resistente para suportar o uso repetitivo. Ele é destinado para o transporte de mercadorias com segurança, inviolabilidade e rapidez, permitindo fácil carregamento e descarregamento. Além disso, é adequado para a movimentação mecânica e para o transporte por diferentes equipamentos.

Tipos de contêineres

  • Contêiner ventilado – Não permite a condensação do ar em seu interior, apropriado para transporte de frutas, legumes, animais vivos etc.
  • Contêiner de teto aberto (open top) – Apropriado para cargas pesadas. Apresenta cobertura na parte superior. É utilizado para máquinas e equipamentos que têm dimensões superiores ao da porta do contêiner, portanto são colocados pela parte superior.
  • Contêiner aberto (flat) – Apropriado para transporte de cargas pesadas e irregulares ou de comprimento superior ao do contêiner. Apresenta abertura nas laterais, teto e, por vezes, tem estrutura somente no fundo (em forma de plataforma).
  • Contêiner seco alto (higt cube) – Semelhantes aos contêineres secos, mas com maior altura.
  • Contêiner lateral aberta (open side) - Apropriado para mercadorias que apresentam dificuldades para embarque pela porta ou que excedam um pouco área do equipamento ou ainda para agilização de sua estufagem.
  • Contêiner tanque (iso tank) – Utilizado para cargas líquidas a granel.
  • Contêiner térmico (reefer) – Pode ser aquecido ou refrigerado e é apropriado para produtos que demandam temperatura constante durante o transporte, com o propósito de não alterar a qualidade e/ou apresentação. O seu uso é muito comum para o transporte de produtos perecíveis.
  • Contêiner graneleiro (bulk) – Apropriado para granéis sólidos, como cereais, pós, farinhas, açúcar etc.
  • Contêiner seco (dry van/general) – É utilizado para cargas secas. Considerado como um contêiner normal.

Aluguel de instalações ou depósitos contratados

As instalações contratadas combinam possiblidades de armazenagem pública e de armazenagem própria. Existe inclusive o compartilhamento dos riscos. O que representa custos menores em comparação com as condições normais de depósitos públicos.

Os depósitos contratados viabilizam oportunidades de flexibilidade, especialização e economia de escala, porque compartilham, entre os clientes, recursos de gerenciamento, equipamentos, informação e mão de obra. As instalações contratadas aumentam as possibilidades de serviços e podem incluir diferentes atividades logísticas, como processamento de pedidos, controle de estoque, processamento de devoluções e serviço ao cliente.

Trata-se de um modelo intermediário entre a terceirização e o armazenamento próprio. É viável pela possibilidade de taxas menores. Em contrapartida, o usuário deve garantir o aluguel por um período determinado em contrato, sendo estabelecido o direito de controlar tanto a área alugada quanto os equipamentos.

Vamos tratar agora de dois tipos bem específicos de tipos de armazém:

  • Frigorífico
  • Automotivo

Ambos apresentam características bem diferenciadas. Vamos conhecê-los:

Armazenagem frigorífico

Para que a armazenagem, especialmente a frigorífica, seja considerada eficiente, diversos fatores devem ser levados em consideração para que não ocorra nenhum dano ao produto. Para isso, alguns cuidados específicos devem ser atendidos. A climatização, a movimentação, o isolamento dos insumos, o empilhamento, entre outros elementos devem ser verificados com extremo cuidado.

Geralmente, toda a movimentação dos materiais é mecanizada. Paletes são utilizados e todos os deslocamentos ocorrem em áreas climatizadas, pois, em seu processo, pode ocorrer o congelamento, o resfriamento ou o descongelamento.

O empilhamento, dentro da câmara frigorífica não deve impedir a circulação de ar, e o produto nunca deve tocar as paredes, o teto ou o piso. Outro fator que deve ser considerado é o isolamento. Por exemplo, legumes e peixes produzem odores bem característicos, os quais podem ser facilmente absorvidos por outros insumos, havendo assim a contaminação dos materiais, por esta razão deve ocorrer isolamento adequado.

Imagem de uma câmara frigorifica com vários produtos armazenados e empilhados.

Figura 3 – Armazém frigorífico
Fonte: <http://www.localfrio.com.br/wp-content/uploads/2015/10/armazem-frigorifico-05.jpg>. Acesso em: 30 ago. 2017.

Armazenagem automotiva

Para exemplificar a armazenagem automotiva, podemos citar o exemplo de uma montadora de carros. Este tipo de armazém geralmente é caracterizado pela amplitude de sua área de armazenagem, pois deve ter tamanho suficiente para a guarda dos produtos, além de possibilitar as operações internas de movimentação. Esta estrutura deve maximizar as operações, evitando movimentos desnecessários.

Outra característica bem marcante deste tipo de armazém é o alto valor dos insumos e do produto final, neste caso: o automóvel.

A imagem apresenta um pátio de uma empresa automobilística com vários carros estocados.

Figura 4 – Pátio de uma empresa automobilística
Fonte: <http://veja.abril.com.br/economia/brasil-tera-melhor-abril-da-historia-para-industria-automobilistica/>.

Assim, o maior desafio na gestão dos tipos de armazém, seja ele automotivo, frigorífico ou de cargas gerais, é realizar uma boa integração de todas as partes envolvidas. Também é preciso considerar a escolha do local e as tecnologias envolvidas na gestão dos tipos de armazém.

O profissional responsável pela gestão dos armazéns deve ser sempre proativo e também precisará ser capacitado para trabalhar em conjunto com todos os colaboradores. Interpretar corretamente todas as informações e, principalmente, cumprir os prazos e os procedimentos adequadamente, é de responsabilidade deste profissional. Desta forma, os processos acontecem de acordo com as delimitações da organização.